terça-feira, 12 de março de 2013

Droga de Vida ou Vida de drogas.

Segundo o último Relatório Mundial sobre Drogas publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime UNODC - 26.06.2012, "A heroína, a cocaína e outras drogas continuam matando cerca de 200.000 pessoas por ano, devastando famílias, levando à miséria milhares de pessoas, bem como gerando insegurança e a disseminação do HIV". Está estimado que cerca de 230 milhões, ou 5% da população adulta mundial (de 15 a 64 anos de idade), utilizaram alguma droga ilícita pelo menos uma vez, em 2012. Além disso, o Relatório aponta que os usuários problemáticos de drogas, principalmente as pessoas dependentes de heroína e cocaína, totalizam cerca de 27 milhões, cerca de 0.6% da população adulta mundial, ou 1 em cada 200 pessoas. São números alarmantes e crescentes. 

Veja que não é o crack, como se propaga, a droga mais consumida, porém é muito devastadora em suas ações. Está na mídia atualmente a morte do vocalista Chorão. Como já se tornou público e declarado pela ex-mulher, as drogas consumiram sua vida. Muitos dos seus amigos, geralmente os do meio artístico, exaltaram a figura do Chorão e até defenderam o seu uso de drogas, justificando ser maior e que pagava suas contas. Naturalmente todos nós temos defeitos e imperfeições e, obviamente virtudes. O problema é quando os defeitos e imperfeições superam nossas virtudes

Mas não se pode esquecer de que o uso de drogas é sempre uma escolha do individuo. Não se pode atribuir a culpa a terceiros, como estão tentando fazer com mais um personagem famoso, como tantos outros que já perderam suas vidas para as drogas, culpando pessoas por isso. A família do Chorão culpa a ex-mulher por abandoná-lo na hora em que ele mais precisava dela, os amigos escondem que fosse usuário de drogas e exaltaram sua personalidade forte, de Bady Boy, como se isso fosse uma virtude que lhe permitisse ser um dependente químico. Gostemos ou não, famosos são modelo para a sociedade. O que é muito grave é que são formadores de opiniões e carregam consigo milhares de seguidores de suas ideias, músicas, temas e princípios.

Em muitas músicas a banda Charlie Brow Jr faz apologia as drogas, justamente pelo fato de seu líder ter sido um dependente químico. Com certeza os fãs da banda discordarão desta analise, mas os fatos estão ai. Todos temos responsabilidades sociais. Na experiência profissional já ouvi muitos relatos de usuários que declaravam que ao embalo de suas musicas, das musicas de Raul Seixas, Amy Winehouse e outros, consumiam drogas freneticamente, pois se “inspiravam” na melodia e nas letras sugestivas do uso de drogas. 

Quando não são referências diretas, como você verá a seguir, elas são de ordem subliminar, ou seja, se passa no subconsciente das pessoas, sem que se deem conta, mas que lhes afetam os comportamentos. No entanto, quem vive em meio às drogas entende claramente o conteúdo. Veja esse trecho da música Ralé: “...Taí, agora é ver botar gás e rodar, rodar. Com os manos apavorar. Nós somos a minoria. Mas nos vamos adiante. Com o que a vida me ensinou eu me torno gigante... Se tiver que ser. Vai ser o que vier. Carro, droga, treta, mulher”. Obviamente o envolvimento da melodia não permite que as pessoas se deem conta da “trama” da letra, isso é o que chamamos de ação subliminar na consciência. Já na letra a seguir, Com Minha Loucura Faço Meu Dinheiro, Com Meu Dinheiro Faço Minhas Loucuras, o texto é objetivamente claro e vai direto ao ponto do mundo das drogas: “... Eu mergulhei fundo, tomei de tudo pra tentar chegar ao fim de um poço de um mundo sujo que só me impõe princípios, objetos, valores falidos princípio, objetos de valores falidos”. Mais adiante na letra, Chorão refere-se a um momento de sua vida em que vivia longo período de abstinência da cocaína, que era sua droga de uso frequente: “... Demorei a enxergar por conta das respostas que eu não tinha naquela hora, mas se eu tivesse enxergado há muito tempo eu já estaria na boa como estou como estou agora...” Mais objetivo e direto do que na letra da música Liberdade Acima de Tudo, impossível: ”Se quiserem me internar não deixem, deixem-me exercer minha loucura em paz se quiserem me internar não deixem, deixem-me exercer minha loucura em paz porque eu nasci pra ser maluco e te fazer a tradução do que é ser um bom maluco do que é ser um maluco sangue bom...”.

Segundo os dados biográficos de sua trajetória existencial, teve diversas internações, sem nunca ter concluído nenhuma delas, pois vivia na estrada com a Banda. A mídia e os familiares justificam que sua entrada nas drogas foi em razão de sua vida sofrida, separação dos pais, etc., antes do sucesso. Porém, não soube aproveitar o sucesso para uma “boa vida”.

Era dado como um sujeito bondoso, solidário e altruísta, que são virtudes importantes na vida de uma pessoa, porém muito pouco fez por si mesmo, como ocorre com todo dependente químico, que não cuida de si mesmo, não se ama, não se valoriza e não se respeita. Por isso perdem a vida para as drogas. Em muitas de suas letras, muito boas por sinal, cantou um mundo feliz, de liberdade, de pleno amor, de crescimento para todos, mas foi vítima de si mesmo. Uma pena, pois era músico de talento. Possivelmente a mídia vai exaltar sua trajetória de sucesso na música. É inegável que foi uma banda de grande sucesso. Talvez façam até um filme, como ocorreu com outro ícone – Cazuza – porém, não darão ênfase ao mais importante: a droga pode matar e mata. Mas como tudo passa, logo estará esquecido, pois outro assumirá seu posto. Droga de vida ou vida de drogas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

DROGAS: A polêmica das internações compulsórias

Estima-se que cerca de 1,2 milhão de brasileiros usem crack. Em geral, o uso se inicia por volta dos 13 anos de idade, entre jovens pobres das periferias, em sua maioria negros e com baixa escolaridade. Os dados são do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE 2010). A população de rua é a mais afetada, e aqueles que não moram na rua são levados a esta situação com frequência. Os dependentes de crack ficam, assim, vulneráveis a todo tipo de violência e situação de risco. O crack não traz apenas consequências no campo das doenças, mas coloca os dependentes em situação psicossocial degradante. Entre as doenças e distúrbios causados pelo crack, estão infecções diversas, pneumonia, abscesso pulmonar, hemorragias, inflamação nos vasos sanguíneos e hipertensão pulmonar. O crack também ocasiona a perda de peso, perda dos dentes e alterações neuropsicológicas como a perda significativa de atenção, memória e linguagem e perdas cognitivas graves. Ao contrário do que se pensa, não é o uso do crack diretamente o que mais mata. Um estudo realizado com usuários de São Paulo revelou que 57% dos acompanhados morreram por homicídio. Em segundo lugar, está a morte por Aids, com 26%, e apenas 9% foram vítimas de overdose. 
É desnecessário dizer que a saúde pública no Brasil é um caos. Não existem vagas nem profissionais devidamente qualificados para atender os dependentes no sistema público. Drogas como o crack agem de maneira tão agressiva no corpo do usuário que não permitem que ele entenda a gravidade de sua situação e o quanto seu comportamento pode ser nocivo para ele mesmo e para os outros. A internação contra a vontade do paciente está prevista no Código Civil desde 2001, pela Lei da Reforma Psiquiátrica 10.216, mas a novidade agora é que o procedimento seja adotado não caso a caso, mas como uma política de saúde pública - o que vem causando a polêmica da compulsoriedade das internações. Os que se colocam a favor do projeto argumentam que um em cada dois dependentes químicos apresenta algum transtorno mental, sendo o mais comum a depressão. A base são estudos americanos como o do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês), de 2005. Mas vários médicos, psicólogos e instituições como os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs), contrários à solução, contestam esses dados. Não existem estudos brasileiros nesta área. Os defensores da internação compulsória afirmam que o consumo de drogas aumentou no País inteiro e são poucos os resultados das ações de prevenção ao uso. A proposta tem o apoio do ministro da Saúde Alexandre Padilha, que acredita que profissionais da saúde poderão avaliar adultos e crianças dependentes químicos para colocá-los em unidades adequadas de tratamento, mesmo contra a vontade dessas pessoas. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também é a favor da medida. Porém, muitos usuários entram em surto psicótico em face do consumo contínuo e abusivo do crack. Nesse contexto, não têm condições de decidir sobre a submissão aos tratamentos possíveis. Querem continuar usando a droga, mesmo que isso lhes custe a própria vida. É nesse cenário devastador que a lei prevê a possibilidade de internação compulsória. Ressalve-se, entretanto, que, para que essa internação aconteça, são necessários laudo médico e decisão judicial. A internação nessas hipóteses não impõe violação aos direitos humanos, ao contrário, resguarda-os. Atualmente estão previstos três tipos de internação (artigo sexto da lei 10.216): voluntária, involuntária e compulsória. A primeira pode ocorrer quando o tratamento intensivo é imprescindível e, nesse caso, a pessoa aceita ser conduzida ao hospital geral por um período de curta duração. A decisão é tomada de acordo com a vontade do paciente. No caso da involuntária (Art. 9º da lei 10.216 - a internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários), ela é mais frequente em caso de surto ou agressividade exagerada, quando o paciente precisa ser contido, às vezes à força. Nas duas situações é obrigatório o laudo médico corroborando a solicitação, que pode ser feita pela família ou por uma instituição. Há ainda a internação compulsória, que tem como diferencial a avaliação de um juiz (nosso judiciário é burocraticamente lento), usada nos casos em que a pessoa esteja correndo risco de morte devido ao uso de drogas ou de transtornos mentais. Essa ação, usada como último recurso, ocorre mesmo contra a vontade do paciente. Em São Paulo, uma solução dada pela prefeitura foram os convênios com as chamadas comunidades terapêuticas, quase sempre religiosas, sem equipes de saúde capacitadas para receber os dependentes. Maus-tratos, violência física e humilhações são constantes nessas comunidades. Há registros de tortura física e psicológica e relatos de casos de internos enterrados até o pescoço, obrigados a beber água de vaso sanitário por haver desobedecido a uma norma ou, ainda, recebendo refeições preparadas com alimentos estragados. “A prefeitura compra leitos nestas instituições privadas passando a ilusão de que isso configura um bom atendimento aos portadores de drogadição”, afirma Ary Blinder, médico psiquiatra da rede pública de saúde. Especialistas também questionam a internação como um tratamento indiscriminado. Em primeiro lugar, quando se trata de saúde mental, cada caso é um caso. A evolução dos problemas e, logo, o tratamento dependem de uma combinação de fatores biológicos, psíquicos e sociais. Em segundo lugar, a taxa de recaída para a dependência de drogas é altíssima, variando entre 40% e 60%. O Estado não oferece nenhuma política para estes casos. Isso leva à conclusão inevitável de que a internação compulsória nada mais será do que uma espécie de detenção. Em se tratando de crianças e adolescentes, a realidade é caótica. Onde interná-los? Não dispomos de instituições adequadas ou preparadas para tal fim. O modelo de internação involuntária de usuários de drogas, que começou a vigorar dia 21 janeiro em São Paulo, é vista pelo juiz Samuel Karasin, coordenador da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), “como uma oportunidade de se dar prioridade à população vulnerável da cidade - aquela que corre risco de morte por conta do vício ou ameaça a integridade de outras pessoas. As internações só deverão ocorrer nos casos mais críticos. É só para se estabilizar o paciente. É preciso deixar claro que o tratamento não é em regime de internação, mas sim de ambulatório”. Atentemos para a fala sensata do juiz em questão. É necessário cuidados com a presunção salvacionista, principalmente de agentes da lei, que querem dar respostas à sociedade, a qualquer preço. Precisamos tirar o foco emocional do problema e colocá-lo dentro da razão das necessidades das partes envolvidas: Família, Sociedade e o Estado. Em tempo estaremos criando um projeto de política pública municipal de atenção ao dependente químico de Tupã (projeto em fase de elaboração), que é o CAPSad - Centro de atenção psicossocial ao dependente de álcool e drogas.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A ATUAL CENA POLÍTICA EM TUPÃ

Estamos em plena campanha política para prefeito e vereadores. Aos poucos o espaço público, as mídias e as residências com outdoors e banners modificarão a cena visual, além da auditiva em razão dos carros de sons com jingles e propagandas dos candidatos. Serão tempos de promessas e muitas não serão cumpridas e a imensa maioria delas será pura falácia (mentira).

Já estamos presenciando uma guerra de acusações. Novamente os eleitores terão a oportunidade, se tiverem paciência e usarem da capacidade crítica, para analisarem as propostas e poderem modificar o cenário político que já dura mais de oito anos da mesma política. Como analisar propostas e planos de governos em um país onde o dinheiro público é utilizado para fins de pessoas ou grupos encastelados no poder? Diríamos que é quase impossível. 

Mas temos uma sugestão viável e consistente que é analisar o caráter e a personalidade dos atuais candidatos. Segue uma orientação para este difícil exercício.

 O que é a personalidade humana? A palavra personalidade vem de uma raiz grega que significa máscara ou persona. No teatro grego os atores costumavam usar máscaras para ocultar suas faces reais e para mostrar alguma outra. Portanto a persona significa uma face que você encarna, não sendo a sua mesma. Os políticos, na sua imensa maioria, são “personas”, portanto irreais. E muitos destes que estão se candidatando  e se recandidatando são “personas” por demais conhecidas de todos nós. É a hora de defenestrá-los (atirar pela janela) através do voto, é claro. 

Muitas de nossas autoridades políticas atuais quando em suas relações com a população são dóceis, atenciosas, mas que nos bastidores das suas atividades perseguem, barganham e traem em seus próprios interesses, pois não cumprem o mandato popular de trabalhar para o povo. O que é pior há os que trabalham e muito pelo povo, mas roubam descaradamente o erário público, como se ao trabalhar para o povo, lhes desse o direito de corromper. 

Esse é o cuidado que o eleitor deverá ter nestas eleições de não escolher uma “persona”, mas sim uma pessoa que tenha um histórico de trabalho e dedicação dentro da comunidade e com valores de caráter, só assim se terá uma mínima condição de acerto na escolha. Estes, os “os candidatos personas” se valem da apatia e do desinteresse da população pelas questões políticas, pois sabem que o povo vai votar para cumprir um dever, pois ainda o voto é obrigatório. 

Esse é o tipo de postura que tais políticos gostam de perceber pois ao se elegerem e principalmente os que concorrem à reeleição, com promessas de continuidade ou de melhoria, mas que logo se acomodam sabendo que o povo adotará a seguinte conduta: “De nada adianta, pois os políticos são assim mesmo”, ou então, “Nada vai mudar”. Essa é tipicamente uma postura de "lavar as mãos", ou seja, já votei agora não preciso me preocupar com mais nada.

 Com relação ao que estão no poder neste momento, fiquemos atendo a eles, pois já estão se utilizando da máquina pública para oprimir os servidores municipais com ameaças, promovendo reuniões em seus nichos políticos e “forçando” que estes depositem o voto a seu favor. Sabemos que na hora de apertar os números da urna é um momento único e solitário, portanto se vota em que se deseja, sendo este o momento de fazermos valer o desejo próprio e não o voto de cabresto. Recentemente o candidato, Henrique Capriles, candidato de oposição à presidência na Venezuela declarou: “As pessoas estão cansadas de sentir medo e de ter de falar o que não pensam apenas para agradar ao governo”. Está é uma situação que se aplica contundentemente ao nosso município e também a grande parcela dos servidores municipais. 

Por tudo isso analise melhor a escolha do seu candidato ou da sua candidata, pois o cenário político tupãense está repleto de “personas”. 

Valci Silva